Mundo Melhor para os Filhos?

Somos mais de 7 bilhões e a população infantil tem um bom percentual nesta multidão. O que estamos ensinando para nossas crianças? E o que estamos permitindo nossos adolescentes fazerem?

Nunca se alcançou tanto conforto e fonte de informações para nos auxiliar na educação dos filhos, sobrinhos, netos, enfim, todas aquelas crianças a quem podemos acrescentar algo, mas então por que temos a sensação que as coisas pioraram ao invés de melhorar?

Certa “liberdade” causou um verdadeiro desastre nas famílias. Quando certos valores se perderam, tudo mais se perdeu, se confundiu, se deixou de aplicar ou se aplicou ao inverso.

Não que antigamente tudo estava certo, não que hoje tudo esteja errado, mas sem dúvida os pais passaram muito das suas responsabilidades para as “pessoas de fora da família” e as crianças perderam o sua “bússola”.

Desde que “trabalhar fora” não é mais uma opção feminina e sim uma obrigação no sustento da casa, já que os salários dos homens baixaram e hoje dificilmente um “pai de família” dá conta do recado sozinho, mais os filhos ficaram sendo “criados” em creches, com parentes, em casa de amigos, em qualquer lugar longe dos pais.

Não estou questionando aqui o direito das mulheres e o grande êxito profissional que conseguiram (nós, também estou neste grupo), estou falando especificamente da relação pais e filhos e como gerações que cresceram “longe” dos pais tem um comportamento totalmente diferente das gerações anteriores.

Em parte da minha infância, minha mãe trabalhava no chamado primeiro turno em uma empresa alimentícia e meu pai no segundo em uma de eletromotores. Eu tinha a companhia dos dois pelo menos por meio período e por “sorte” minha, mais tarde quando comecei a estudar, minha mãe não estava mais nesta empresa e então pude continuar tendo a presença dos dois no meu dia-a-dia.

Foi com eles que aprendi o valor das coisas e não o seu preço, o respeito pelo próximo, pela natureza, pelos objetos, principalmente os que não me pertenciam. Eu posso dizer que tive a “sorte” de aprender com ensinamentos e com exemplos e as crianças da “minha época” tinham esta formação caseira antes de chegarem ao primário.

Fui alfabetizada em casa, nunca passei por creches ou pré-escolares e isso não era nada de surpreendente naqueles tempos ( e olha que estou falando de pouco mais de duas décadas).

Sim, apanhei umas “chineladas na bunda” e hoje agradeço, meus pais construíram comigo uma autoridade que eu não “desafiava”. Bastava um olhar sério, uma palavra dita de forma mais rígida e pronto, eu entendia, ficava quietinha e não fazia novamente.

Aprendi em casa que lixo se joga no lixo, que não se mexe no material escolar do amiguinho sem sua autorização, que se tem que olhar duas ou três vezes para atravessar a rua porque o carro é “mais forte” que meu corpo e que eu tenho que respeitar o outro e o outro também tem que me respeitar,  esta é a troca.

Me exemplifiquei para dizer o quanto hoje as crianças “perderam” seu pais. Elas aprendem “na rua”, na escola, com os amigos, na internet o que deveriam aprender com eles. Há uma relação muito grande de autoridade que só os pais podem firmar com os filhos e esta é constituída de amor, educação e limites. Hoje ela está muito estremecida ou inexiste. Há pais querendo ser “colegas de escola” dos filhos ou se ausentam totalmente da “função” de pais.

Não adianta dar ao filho as melhores roupas, o melhor colégio, a melhor tecnologia, levá-los nos melhores passeios no final de semana e enchê-los de mimos se você mãe, você pai, não dá o essencial para eles: vocês mesmos. Em tempo de famílias constituídas diferentemente das tradicionais, com filhos de pais diferentes, casais homossexuais, e ainda nos casos de algumas adoções (as tardias, acho que nunca seja tarde para adotar alguém, mas refere-se às crianças adotadas um pouco maiores), é preciso praticar a “educação caseira”, concentrando esforços na formação de caráter destas crianças e  mais que palavras, é necessário, exemplos.

Uma criança tem que ter limites sim, para isso existem pais e filhos, nesta sequencia e não o inverso. Se vocês dão esta tal “liberdade” ao ponto de aos 5 anos de idade, o filho estar apontando o dedo na cara de vocês e contrariando suas ordens falando de seus direitos, algo está muito errado. Em que ponto não lhe foi ensinado que a vida se faz de direitos e deveres, que a harmonia da vida está no respeito e que ele não pode fazer tudo que quer quando quer, simplesmente porque da porta para fora ele realmente não poderá agir assim? Os direitos dele acabam quando começam o do outro e principalmente a tolerância com as diferenças e opções não é ensinada aos filhos. O direito que o outro tem de ser diferente, pensar diferente e querer diferente que ele não é algo errado, e quanto se vê de violência porque o “amiguinho” não concordou com o outro?

Não é fácil criar um filho nos dias de hoje, com tantas más opções, por isso é muito importante “ser” exemplo e impor limites. Infelizmente vemos hoje crianças e adolescentes “dominando”  os pais e o pior, perdendo-se nas drogas e prostituição.

A sociedade contribui para isso? Sim, mas quem é a sociedade senão nós? A mudança começa em nós mesmos e o reflexo nos nossos descendentes. O velho ditado “filho de peixe, peixinho é”, se aplica de forma mais cruel hoje em dia, quando bons pais não mostram seus exemplos de vida e caráter para os filhos e acabam “engolidos pelo peixinho”.

Pense bem antes de ter filhos e os tendo, eduque. Eduque você e não repasse uma responsabilidade que é sua para outra pessoa.

Se você quer um mundo melhor para seus filhos, tenha filhos melhores para o mundo!

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