Santa Catarina possui a maior área de preservação do país e talvez por isso nos pareça tão insensato o código ambiental que estão tentando nos colocar garganta abaixo.

Esta foto tirei hoje pela manhã. A colheita do arroz já foi realizada e ao fundo aquele “mundo” de montanhas verdes e vertentes de água, paisagem linda de ser ver.

Ao contrário do que se ouve falar do restante do país, as propriedades rurais aqui são pequenas, geralmente familiares. Aquele pedacinho de terra vai passando de mão em mão, de geração e geração e sendo cultivado há mais de um século na sua grande maioria.

É um absurdo alguém vir agora e nos tratar como “criminosos”, ao ponto de levar à delegacia agricultores que trabalharam sua vida inteira para colocar comida na mesa de quem faz as leis, sempre dignamente, honestamente e no mesmo pedaço de chão herdado dos país ou dos avós. É revoltante alguém apontar com o dedo o mau cheiro no rio dizendo que é de agrotóxico, quando na verdade é seu próprio esgoto não tratado e seu próprio lixo atirado em qualquer lugar que acaba dentro dos rios, isso quando não são as empresas, essas que os funcionários sabem que jogam todos os seus detritos em qualquer córrego, mas que são protegidas pela “lei do dinheiro”.

Não é incrível que um agricultor tenha que deixar uma área de até 50 metros à beira dos rios para “conservar a vida” das águas enquanto na “cidade” se pode construir praticamente dentro deles e lançar o esgoto sem nenhum tratamento  nestas mesmas águas?

Não é incrível que ninguém se atreva a impedir o desmatamento na Amazônia, coração do mundo, mas venha tratar como bandidos quem produz alimento para tantos brasileiros?

Não há política agrícola no país e isto é fato. Não venha me dizer que os financiamentos com juros baixos é incentivo para fortalecer a agropecuária porque não é. O produtor necessita receber justamente pelo que produz e não migalhas como vem sendo nos últimos dez anos. Os insumos aumentam de preço, o maquinário e mão de obra também, mas o produto baixa cada vez mais. O agricultor entrega o que produz praticamente de graça, muitas lavouras não “se pagam” e as dívidas acumulam, mas ainda sim, vem “as leis” dizendo que quem produz está errado, está “destruindo” o meio ambiente e por consequência, o universo.

Caros “amigos” ambientalistas e que fazem as leis, convido vocês à conhecerem nossos produtores – não estou falando do restante do país, estou falando de Santa Catarina – venham passar 15 dias trabalhando no campo junto com uma destas famílias, venham! Não estou dizendo para virem aqui admirar como certas propriedades são bonitas e fartas e como o ar é puro. É muito fácil achar que o mato não cresce, que é só plantar e colher, que o leite direto da vaca todos os dias, (inclusive sábado, domingo e feriado, sempre no mesmo horário) vem “de graça”. Convido mais, venham produzir o que comem, aquecer o fogão ou o forno antes de cozinhar e alimentem-se do que for produzido com suas próprias mãos. Depois voltem para o conforto dos seus lares e pela primeira vez na vida, abram a geladeira e vejam o sacrifício de muita gente naquele alimento que está ali tão fácil ao alcance das mãos de vocês. Essas mesmas mãos que tripudiam em cima da vida sofrida dos produtores e redigem leis sem nem saber sobre o que estão falando, quando generalizam um país deste tamanho por falta de conhecimento ou por realmente não querem conhecer.

Não posso falar do restante do país, pelo menos não da maioria dos estados, não conheço (assim como muitos dos que fazem as leis e se dizem defensores do meio ambiente também não conhecem nossa realidade, digo e repito isso, porque é a mais pura verdade), mas tenho certeza que em mais locais do país há também famílias sobrevivendo da agricultura, em pequenas propriedades, há muitos e muitos anos no mesmo pedaço de terra e o mundo continuou a ser poluído e o meio ambiente destruído, longe daquele pedacinho. Claro, com consequências climáticas também nele, mas estes não podem pagar pelo crime que não cometeram, não pode-se sacrificar o agricultor em nome de uma política ambiental que só existe quando é vantajosa para alguém, pois quando há muito dinheiro envolvido, árvores vem abaixo, animais perdem a vida e ninguém, eu disse NINGUÉM,  faz nada.

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