Lado a Lado

  Não posso ser intitulada como “noveleira”, até porque já perdi a conta de quantos anos fazem que não assisto a atração no horário nobre das nove horas, mas no horário das dezoito, quando estou em casa após o dia de trabalho, costumo acompanhar as tramas e presto uma homenagem ao sucesso que está sendo a novela “Lado a Lado” da Rede Globo de Televisão.

  Uma novela de época onde muito da história do Brasil no princípio do regime republicano e pós fim da escravidão é contado de forma bastante acertada pelo autor.

   Sem exageros, nem sensacionalismo, sem vilões de existência questionável, a novela orquestrou com maestria os fatos, lutas e conflitos que existiram e ainda existem em nosso cotidiano.

  A personagem Laura  interpretada pela atriz Marjorie Estiano é uma feminista inteligente que sem perder as características femininas luta para mostrar o valor da mulher. Ela não perde a feminilidade, ela não usa a sensualidade, ela simplesmente adquire conhecimento e demonstra como é difícil trilhar o caminho correto em um ambiente tomado por preconceito e hipocrisia sem limites.

  Senti muito de mim nela, até porque mesmo mais de cem anos depois as coisas não mudaram tanto. A mulher até conseguiu seu lugar “ao sol” mas continua vítima de muitos preconceitos, violência e é claro, hipocrisia. Assim como na época, as próprias mulheres tem grande parcela de culpa por não valorizarem-se e condenarem as outras mulheres que não seguem seus “padrões de dignidade.”

   No mais, o preconceito aos negros, as falcatruas políticas, os problemas de família, a falsa elite, a Revolta da Chibata e até o divórcio são retratados de forma bem entrosada com o enredo, sem perder o equilíbrio, com falas bem acentuadas e ótima interpretação da equipe de atores.

  A novela está nos últimos capítulos e vai deixar saudade. É difícil ver algo com real conteúdo nos tempos atuais, é difícil cativar o público sem apelar para o erotismo, a banalidade e a futilidade.

  Escrevo elogiando porque realmente valeu a pena. Estudantes de história tirariam grande proveito desta trama, até porque os livros da área geralmente não contam os conflitos do dia a dia, os pequenos acontecimentos que não foram para as páginas mas que mudaram e continuam mudando os rumos da sociedade.

  Para o público em geral, foi um presente. Cada personagem teve seu brilho e ensinou algo, cada um de nós encontrou um “antepassado” e muitas vezes ficou pensando em quanto evoluímos pouco ou até regredimos no quesito principal: humanidade.

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