Arquivo | março 2016

Brasil de Todos ou de Ninguém?

Estamos escrevendo a história do país. Dia após dia descobrimos e aprendemos mais sobre as forças que governam o Brasil.

Insatisfeita com os casos sempre crescentes de corrupção, com a má situação econômica e com falta de confiança na classe política, a população procura seus direitos exigindo justiça e a saída da atual presidente através de várias e grandes manifestações públicas por todo país.

Sendo reeleito com uma pequena diferença de votos, o PT – Partido dos Trabalhadores, entrou em seu quarto mandato com um discurso populista que foi sendo desconstruído pelos escândalos de desvio de dinheiro, entidades públicas sucateadas (hospitais, rodovias, escolas e até a gigante Petrobrás), redução de investimento nos programas populares, violência e desemprego crescentes. O Brasil perdeu o selo de bom pagador perante o mundo e a situação economia continua em declínio.

S_rgio-Moro

Inicia-se assim a construção de um herói popular que já garantiu páginas nos livros de história: o Juiz Federal Sérgio Fernando Moro que chefia uma investigação intitulada de Lava-jato e que em cada fase encontra mais envolvidos, mais corrupção e chega aos grandes nomes da política nacional.

Admirado por todos que não estão satisfeitos com a atual situação, mensagens de apoio se multiplicam nas redes sociais, nas ruas, nos gritos de ordem (e de socorro) e literalmente, vestiu-se sua camisa em defesa de uma limpeza dos órgãos públicos.

De fato, ninguém antes dele agiu com tanta determinação e coragem enfrentando tudo e todos, sem distinguir cargos ou poder político. Particularmente, o admiro profundamente.

A Polícia Federal segue com seu trabalho e a crise político-administrativa se agrava com as decisões tomadas pelo partido eleito. Todos os dias vivemos momentos conturbados e a insatisfação é manifestada com mais esmero pelo povo brasileiro e por lideranças partidárias da oposição.

Vamos do sentimento de impotência ao de esperança constantemente e esperamos, como bom brasileiros, que a impunidade termine e que possamos viver num país com mais igualdade. Hoje o discurso populista de quem está no poder ao invés de unir separa as pessoas classificando-as por raças, classes sociais, origens e condições econômicas. Não sabemos quem serão os próximos e como será, mas a luta é por melhores condições de vida para todos, sem distinção.

Estes momentos são bons para que as pessoas tomem consciência de seus direitos e deveres, no seu cotidiano passem a agir com mais responsabilidade e discernimento e, principalmente, não votem só por votar ou se corrompendo por favores eleitoreiros. É preciso ser exemplo para que as novas gerações produzam governantes íntegros e não necessitemos mais viver sem o básico que pagamos para o setor público nos fornecer e menos ainda assistindo o enriquecimento ilícito dos que aproveitam seus cargos para fazerem tudo por si e nada pelos brasileiros.

Em março escrevi uma carta e enviei para juiz. Sua esposa criou uma comunidade na rede social Facebook para agradecer o carinho dos brasileiros e minha carta está lá. Fiquei feliz por ter chego ao destino, ter sido bem recebida e pelo agradecimento com a publicação:

carta

Mulheres, se valorizem!

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Chegou mais um Dia Internacional das Mulheres, mas ao que parece, no “mundo ocidental” que se diz livre e evoluído, as coisas também não vão tão bem assim….

Você acessa redes sociais e encontra postagens do tipo: “Deu pra todo mundo no Carnaval e agora vai fazer jejum na quaresma…”, ou então “Transou com 47 e não sabe quem é o pai, vagabunda!” e por ai vai.

Assustador não é nem a postagem (que inicialmente foi realizada por alguém do sexo masculino) mas sim o número de mulheres que comentam aprovando e condenando todas as outras como se fossem donas de toda pureza e verdade.

Faço umas perguntinhas:

1. A “vagabunda” deu pra quem no Carnaval se todos os “santos homens” não estavam lá, já que DELES ninguém fala, eram todas lésbicas?

2. Como é possível engravidar sem querer em 2016, os “santos homens” que procuram as vagabundas não sabem usar camisinha?

3. Os homens que estavam no Carnaval não são vagabundos e é lindo vê-los nas missas ou eventos religiosos porque eles podem fazer o mesmo que elas, mas são perdoados pela ignorância machista de todas vocês?

Não é à toa que uma mulher é agredida a cada 6 minutos neste país e enquanto uma apanha ou é morta, meia dúzia está rindo e dizendo que é bem-feito.

Não estou concordando que é lindo se vulgarizar, ter filhos sem constituir família, adquirir doenças, enfim, mas por que sempre são ELAS as culpadas e ELES podem tudo nesta sociedade medíocre?

Ainda criam os filhos para “pegar todas” porque são homens e as filhas pra “se fazerem de difíceis” porque assim deve ser? E não me venha com aquela conversa de que ELES agem só por instinto porque se é assim, temos que colocar na jaula e domesticar ou então devolver para floresta.

Se eu fosse homem, homem de verdade e não um vagabundo, me sentiria ofendido pela forma que as mulheres tratam-os como seres inferiores que precisam ser cuidados como bebês já que não sabem discernir o certo ou errado e coitadinhos, “se deixam levar pelas mulheres, seres infernais capazes de fazer com que eles cometam traições, agressões, estupros, matem a mãe de seus filhos… Coitadinhos, são inocentes demais”.

Acordem! Uma mulher não faz nada sozinha. Sem este papo que “ela abriu as pernas” e dai ele já tem que ir correndo lá, sem cuidados básicos (camisinha) e sem respeito por sua companheira.

Cada vez que chamam uma mulher de vagabunda, vagabundo também é aquele que anda com ela. Então parem de julgar os outros e eduquem os meninos para que sejam homens e não apenas machos procurando uma fêmea no cio e meninas para que sejam mulheres de verdade, com discernimento do que realmente querem e fazem.

E cuidado com o teto de vidro. Geralmente se enxerga no outro mais facilmente os próprios defeitos.