latinhas

As pessoas me perguntam por que ou para que junto as latinhas vazias por onde encontro e sempre lhes parece inconcebível tal atitude.

Pois bem, venho explicar porque junto e posteriormente vendo todas elas.

Desde novembro do ano passado até o dia de hoje, consegui R$ 103,60 com a venda das latinhas. Não fico pelas ruas “catando”, mas sempre que uma está no caminho ou um colega/vizinho quer doá-las, eu aceito.

O valor que arrecado é utilizado para comprar ração para cães abandonados que estão acolhidos em dois endereços. Hoje são pelo menos 15 cães das mais diversas raças (ou nenhuma raça) e tamanhos que, abandonados à própria sorte nas ruas do interior da cidade, acolhemos e alimentamos.

cuidar de animais

Digo “acolhemos” no plural porque a iniciativa é minha, de minha mãe e de um tio. Logicamente não é possível alimentar os cães com o valor que é arrecadado e desta forma, “patrocinamos” do próprio bolso a alimentação dos mesmos.

Não recolhemos cães, ou seja, não vamos atrás de pessoas que queiram desfazer-se de seus animais, nós acolhemos os que perdidos ou sedentos de fome, nos imploram ajuda.

Nossa principal dificuldade está com as fêmeas. A castração seria o melhor caminho, mas se torna muito caro e por vezes nos vemos com novos filhotes que tentamos doar ou que sobem o número de alimentados.

Este foi o motivo que considerei para fazer o recolhimento e venda das latinhas. É algo honesto, fácil e que modestamente ameniza nossos gastos.

Atitudes como esta se multiplicam pelo Brasil, país onde a falta de educação e impunidade andam de mãos dadas, dificultando políticas de proteção aos animais, punição à crueldade e irresponsabilidade de pessoas inconscientes de seu papel no ambiente em que vivem.

Vemos melhoras e cada melhora é uma vitória. Sempre recordo desta história quando um cão agradece abanando seu rabinho:

“Era uma vez um escritor que morava em uma praia tranquila, próximo à uma colônia de pescadores.
Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar e, a tarde, ficava em casa escrevendo.
Certo dia, caminhando pela praia, viu um vulto ao longe que parecia dançar.
Ao chegar perto, reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia, para, uma a uma, jogá-las de volta ao oceano, para além de onde as ondas quebravam.
– Por que você está fazendo isto? – perguntou o escritor.
– Você não vê? – explicou o jovem, que alegremente continuava a apanhar e jogar as estrelas ao mar.
– A maré está vazando e o sol está brilhando forte… elas irão ressecar e morrer se ficarem aqui na areia. – o jovem completou.
O escritor espantou-se com a resposta e disse com paciência:
– Meu jovem, existem milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Você joga algumas poucas de volta ao oceano, mas a maioria vai perecer de qualquer jeito. De que adianta tanto esforço, não vai fazer diferença?
O jovem se abaixou e apanhou mais uma estrela na praia, sorriu para o escritor e disse:
Para esta aqui faz! – e jogou-a de volta ao mar.”

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