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Não conseguia pensar, muito menos escrever. A notícia, tão chocante quanto inacreditável inebriou os sentimentos, escureceu o entendimento, silenciou o futuro. Do sonho ao pesadelo, em poucas horas; da festa ao luto; da esperança de vitória em campo à insignificância perante a tragédia.

De repente títulos, times e suas rivalidades não tinham mais nenhuma importância e de um grande elenco que voou sorrindo, volta-nos aviões oficiais trazendo os que nunca mais poderão sorrir.

O mundo todo se uniu em uma só torcida, em uma só consternação, em uma corrente humanitária que eu jamais vi no mundo do esporte.

A incredulidade deu lugar a solidariedade. Era preciso fazer algo pelos sobreviventes, pelas famílias, pelos amigos, pelo clube, pelos torcedores; era preciso pensar, agir, agilizar, confortar e por mais dolorosa que fosse a completa escuridão da morte, era preciso iluminar a vida.

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Aquele que disputaria um troféu em campo, o Atlético Nacional da Colômbia abriu mão do título que não pode mais ser disputado, nem é mais cobiçado e não tem mais o valor que tinha. Passou a ter outro sentido, passou a ser um símbolo de solidariedade, uma oportunidade de homenagear os que se foram e acalentar os que ficaram.

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Páginas inimagináveis se escrevem na história. A Chapecoense que era o Brasil na Copa Sul-Americana de Futebol, pintou de verde o mundo inteiro, silenciou torcidas, fez os campos de futebol terem a grama regada com lágrimas e nos envolveu em uma reflexão coletiva sobre a vida, sua importância e sua brevidade.

Minha bela Santa Catarina, que eu amo tanto, de onde eu nunca consegui escolher um único time para torcer e que eu jamais torci contra mesmo quando na disputa com um grande time nacional de coração, chora a perda daqueles que estavam nos enchendo de alegrias e orgulho, que mostravam a força de um povo humilde, trabalhador e que mais uma vez, tem que superar a dor e recomeçar.

Fica nossa oração pelos que se foram, pelos sobreviventes, por familiares, amigos, pela cidade de Chapecó, por todos aqueles que mostraram e mostram solidariedade, respeito e empenho para continuar a vida que segue, escrevendo seus dias.

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Breve histórico:

Associação Chapecoense de Futebol (ACF) é um clube de futebol brasileiro, sediado na cidade de Chapecó, Santa Catarina. Foi fundado em 10 de maio de 1973, com o objetivo de restaurar o futebol na cidade de Chapecó. Sua origem está ligada ao fato de que, na década de 1970, a região possuía apenas alguns times amadores, sendo inexpressiva em relação ao futebol profissional. Com o propósito de reverter esta situação, alguns desportistas da cidade, jovens apaixonados pelo esporte, decidiram se reunir para criar um time de futebol profissional para a cidade.

Às 22:15 h (hora local) de 28 de novembro de 2016 (1:15 h, do dia 29 de novembro no Brasil) uma aeronave da empresa venezuelana Lamia, com matrícula CP 2933 proveniente de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, caiu em Cerro Gordo, setenta e sete pessoas a bordo, inclusive toda a equipe do time brasileiro da Chapecoense que iria a Medellín onde disputaria uma partida contra o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana.

O time teve um voo direto a Medellín vetado pela Agência Nacional de Aviação Civil, então serviu-se da escala na Bolívia, para onde viajou em voo comercial. Deixaram de acompanhar a equipe os jogadores Neném, Demerson, Marcelo Boeck, Andrei, Hyoran, Martinuccio, Nivaldo e Rafael Lima que não seriam usados pelo técnico Caio Júnior; também não acompanhou o time o prefeito de Chapecó, que fora convidado a integrar a comitiva. Rodrigo Ernesto e Pablo Castro, que são responsáveis pela logística do clube, já estavam na Colômbia, onde aguardavam sua chegada.

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