Nossa Senhora da Polônia (2)

De acordo com uma antiga tradição, o quadro de Nossa Senhora de Czestochowa é uma cópia fiel da pintura feita por São Lucas evangelista, que por ocasião das seguidas visitas que fez à Mãe de Deus para colher dela os pormenores da infância de Jesus, pintou a imagem da Virgem Maria na tábua da mesa de cedro que ela utilizava para trabalhar e rezar.

Quando iniciou a pintura do rosto da imagem, o evangelista, preocupado em exprimir da melhor forma possível toda beleza de Nossa Senhora, recolheu-se e acabou adormecendo, quando acordou, a obra estava totalmente pronta.

Santa Helena e Constantino

Muitos anos depois, por volta do ano 323, durante a ocupação de Jerusalém pelo exército romano, Santa Helena foi até a Terra Santa procurar o Santo Lenho. Chegando lá, recebeu o quadro de presente e após ter encontrado a Santa Cruz, enviou ambos para seu filho, o Imperador Constantino.

Recém-convertido ao cristianismo, Constantino instalou o quadro em uma capela particular do seu palácio. Após mais de 400 anos, o quadro foi transferido para a capela do castelo Belz, na Rússia, onde permaneceu por muito tempo.

Príncipe Ladislau

Após a Rússia perder uma guerra travada contra a Hungria e a Polônia, o castelo Belz foi entregue ao príncipe Ladislau, que encontrou o quadro de Nossa Senhora e o instalou na capela do seu palácio. Pouco tempo depois, a cidade foi invadida por Tártaros, que atacaram o castelo.

Percebendo que, apesar do heroísmo de seus soldados, os invasores venciam, por serem muito mais numerosos, Ladislau prostrou-se diante da Mãe de Deus e implorou a sua proteção, que veio sem demora. Agradecido pela proteção e desejando proteger o quadro do ataque dos bárbaros, resolveu levar o mesmo para Opole (Polônia) capital do seu principado.

Nossa Senhora de Jasna Gora

O quadro foi então levado, por desígnio de Deus, para uma colina perto de Czestochowa, que, por ser descalvado de calcário, recebeu o nome de Jasna Gora.

No ano de 1382, o quadro foi confiado aos cuidados dos Frades Paulinos, que receberam do Príncipe Ladislau ajuda para construir um convento e uma igreja com o intuito de conservar o milagroso objeto.

Em 27 de novembro de 1429, através de uma Bula, o Papa Martinho V concedeu a bênção papal e diversas indulgências ao Santuário.

A chegada do quadro de Nossa Senhora às terras polonesas foi acompanhada por numerosa quantidade de fiéis provenientes dos mais diversos lugares do país em busca de conforto material e espiritual. Com o intuito de manifestar gratidão pelas graças alcançadas, os peregrinos presenteavam o Santuário com donativos em ouro, prata, pedras preciosas e dinheiro. Dentre esses devotos estava a rainha da Polônia, Santa Edwiges, e seu esposo, o rei Ladislau Jagiello.

Com rica ornamentação, o quadro milagroso se tornou alvo de cobiça de assaltantes e infiéis, de tal forma, que, por volta do ano de 1430, bandidos invadiram o Santuário, arrancando do altar, joias, cálices e o quadro milagroso. Na fuga, o quadro acabou caindo, um dos assaltantes, percebendo que levar o quadro colocaria em risco a sua liberdade, pois soldados armados já estavam atrás deles, encolerizou-se e antes de fugir, golpeou o quadro com sua espada por diversas vezes. Deixando o quadro partido em três e o rosto de Nossa Senhora ferido.

Vendo o estrago cometido, os frades pediram ao rei da Polônia Ladislau Jagiello que ajuda-se na restauração do quadro. Após várias tentativas sem sucesso, por parte de pintores famosos, um jovem se dirigiu ao rei e declarou que Nossa Senhora não queria que as cicatrizes fossem apagadas. E depois disso concluiu a restauração do quadro. Após restaurar a obra por completo, o jovem desapareceu.

Rainha da Polônia

De volta ao trono, o quadro de Nossa Senhora de Czestochowa, foi novamente ornado de ouro, prata e pedra preciosas, doadas pelos reis e pelo povo. O Santuário continuou atraindo numerosa quantidade de fiéis que com confiança, fé e esperança apresentavam suas necessidades à Mãe de Deus.

No ano de 1655, os suecos invadiram a Polônia, atacando o Convento e o Santuário de Czestochowa, onde estavam apenas frades e 50 famílias e alguns soldados. Os suecos cercaram o local e durante 40 dias atacavam com mais de 15 mil homens, munidos de canhões e diversas bombas incendiárias.

Confiantes na proteção da Mãe de Deus, os frades e demais sitiados, organizaram uma procissão em volta do Santuário, cantando e rezando em meio dos ataques do inimigo que, reconhecendo as forças sobrenaturais dos sitiados, resolveram se afastar e pouco depois acabaram sendo expulsos do país.

No ano seguinte, 1656, Nossa Senhora de Czestochowa foi declarada, oficialmente, pelo Papa, como Rainha da Polônia.

nossapapa

Em todos os festejos dos centenários da cristianização do país os fiéis fizeram peregrinações ao santuário de Jasna Góra, mesmo quando a Polônia se achava dividida e suas províncias anexadas às nações vizinhas. Em 1966, quando se comemorou o milenário deste acontecimento, o cardeal Wyszynski organizou uma série de programações religiosas, que culminaram com grandes festividades na cidade de Czentochowa e milhares de poloneses, apesar do boicote do governo comunista, compareceram às solenidades celebradas na enorme praça fronteira à basílica de Jasna Góra, em comovente homenagem à Santa Protetora.

Atualmente a Igreja Católica polonesa conta com o apoio de grande parte da população, principalmente depois que um de seus ilustres filhos, o cardeal Karol Wojtyla foi eleito Papa com o nome de João Paulo II.

Durante a estadia do Papa João Paulo II no Brasil, em 1980, S. S. rezou a cerimônia religiosa em Curitiba diante do quadro que é venerado na igreja de santo Estanislau. Grande número de participantes se apresentaram em trajes típicos regionais, demonstrando assim o entranhado amor do povo polonês, que mesmo do outro lado do oceano venera com carinho a sua Padroeira, uma das diversas Virgens Negras que povoam as devoções marianas na Europa Oriental.

No seu brasão papal, colocou uma grande cruz, a letra M e as palavras: “TOTUS TUUS”, que significa: “Todo Teu – Todo de Maria”.

Cumpre ressaltar ainda a data de 1982, quando se comemorou os 600 anos do reinado maternal da Virgem de Czestochowa, o papa João Paulo II alimentava o grande desejo de ir agradecer pessoalmente a Maria a proteção Materna à sua Pátria, mas o governo comunista não o permitiu, transferindo a peregrinação para 1983. E graças a bondosa proteção da Virgem, a polônia ficou livre do jugo comunista.

Inúmeros são os milagres de curas e conversões de pecadores, ao entrarem no Santuário da Virgem de Czestochowa. Maria espera a todos e ajuda aqueles que a reconhecem como Mãe de Deus e seguem os passos do Seu Filho Jesus Cristo.

Fonte: Arautos do Evangelho e Santuário Nacional de Aparecida

santa edwiges

A imagem inserida no início desta postagem é uma herança de família. Segundo relatos, a pequena gravura traz a relíquia de um pedaço do véu em que a imagem original exposta no Santuário em Czestochowa foi envolvida e depois fracionada e distribuída entre os fiéis. O pequeno papel com o véu atravessou os mares e chegou aos meus antepassados através de vínculos de parentescos, provavelmente pelas mãos do Cardeal August Hlond – Primaz da Polônia, que enviou também o quadro acima e tem quase um século de existência. O quadro de Santa Edwiges também veio da Polônia, datado de 1935.