downloadPublicação da Editora Planeta e, de acordo com a sinopse, “um capítulo escondido do Brasil. Uma passagem mantida em sigilo. Um passado que envergonha a todos: a fatídica história da Inquisição Portuguesa que transferiu para a colônia a perseguição aos judeus. Discriminação, racismo, mortes. Esta é a grande revelação que traz o livro Os judeus que construíram o Brasil – fontes inéditas para uma nova visão da história. Resultado de pesquisas realizadas em todo o mundo e, em especial, no até então secreto arquivo do Santo Ofício da Inquisição, esta obra mostra como os judeus e os cristãos novos foram perseguidos nos séculos XVI, XVII e XVIII.
A Inquisição contra os judeus foi autorizada pelo Papa e começou em 1478 na Espanha e em 1536 em Portugal. Mas só no final do século XVI, em 1591, os portugueses mandaram quadros para o Brasil a fim de vigiar e perseguir os judeus. Distante da Europa, o país foi o destino de muitos convertidos, os cristãos-novos.
Neste livro, as historiadoras Anita Novinsky, Daniela Levy, Eneide Ribeiro e Lina Gorenstein contam como a Inquisição prendeu mais de mil pessoas, sendo que 29 morreram, além de provocar o desaparecimento de outras mil e de arruinar com famílias em todo o país.”

De fato, há muito em nossa história que não conhecemos e quanto mais pesquisas são realizadas, mais nos apresentam um Brasil desconhecido.

O livro é abrangente, traz dados históricos já consolidados na Europa e os novos na América e Brasil, utiliza  linguagem agradável e é de uma profundidade surpreendente.

O único ponto negativo é que a principal autora demonstrou um ressentimento pessoal e, ao meu ver, perdeu uma boa oportunidade de contribuir para a paz. Ela poderia ter citado os vários papas católicos que pediram perdão pelas crueldades e injustiças cometidas, bem como a liberdade religiosa brasileira, mas não o fez e desta forma deixou uma lacuna preenchível por mais duas ou três páginas escritas de coração aberto.

Conforme as pesquisas documentais realizadas, nos certificamos que muito além da fé, o jogo de interesses visando o poder e a riqueza falaram mais alto em todos os tempos. É fato que o conhecimento é uma arma poderosa e os judeus “incomodavam” por seu conhecimento, suas habilidades, o crescimento e a riqueza. Por serem um povo que não “se dobrava” aos caprichos dos que detinham ou queriam deter o monopólio do poder, foram perseguidos, injustiçados, assaltados e mortos aos milhões em vários momentos da história.

É triste saber que no Brasil também houve perseguição e morte, já tínhamos a vergonhosa escravidão em nosso currículo e descobrimos mais esta. O lado bom é que os brasileiros não quiseram compactuar com a perseguição e as delações foram poucas, decepcionaram a Inquisição e salvaram muitos judeus e/ou cristãos novos.

Fica mais uma vez evidente o óbvio: a tolerância é a chave da paz.

Infelizmente, somos manipulados em todos os tempos, os que detém o real conhecimento, aquele que nunca nos chega e hoje é centralizado nos governos e grandes grupos empresariais manipulam a grande massa para que seus interesses sejam atendidos. Logicamente há pessoas honestas e que preocupam-se com o bem estar das pessoas e do planeta, mas ainda não é uma convivência transparente.

Com a evolução dos meios de comunicação, muito foi desmistificado mas também muito foi manipulado. Certos poderes desejam manter a grande massa em uma “ignorância programada” e assim, manter e usufruir de poder e riquezas que não teriam com a igualdade do conhecimento.

Os fanáticos e extremistas escondem-se atrás de religiões para realizar seus desejos mais mundanos, pouco preocupados realmente com a elevação espiritual e menos ainda, com o bem estar social. Utilizam a chamada “massa de manobra”, iludida, para espalhar pânico e terror pelo mundo. É de um egoísmo sem fim…

ReligiõesEste é mais um livro sobre o que não fazer, sobre o erro que não deve se repetir, sobre o sofrimento gratuito aplicado contra gente como a gente e que nunca será justificável.

Seja qual for a crença ou a descrença, depende de nós fazermos um mundo mais humano e digno, salvar nosso planeta de nossa própria ambição e destruição, entender que não há raça superior ou inferior, religião melhor ou pior, Deus ou deuses com maior ou menor poder. Este planeta está aqui e depende de nós nos salvarmos de nós mesmos, todos os dias.

Respeito, tolerância e solidariedade são essenciais e nunca poderão ser substituídos em nome de algo que se afirma ser superior. Superior é o amor, em todos os tempos.

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