Combatendo O Bom Combate

Em 22 de abril de 1944 há um embarque para Segunda Guerra Mundial, partindo do Brasil. Neste navio seguem quatro homens de de nomes Alessio, Leopoldo, Luiz e Paulino Venturi. Um deles se tornaria meu avô. Alessio não voltaria no dia 17 de setembro de 1945.

O navio americano de transporte de tropas da U.S.S. Gen. Montgomery Cunningham Meigs AP-116 levava 5.239 homens, destes, 318 eram oficiais.

Era o 3º Escalão de Embarque e nele seguiram para a Itália:

  • 11º Regimento de Infantaria (RI)
  • I/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocados (ROAuR)
  • I/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (RAPC)
  • 9º Batalhão de Engenharia (BE) (Comando e Cia. de Serviço)
  • Destacamento de Saúde e 3ª Cia
  • Esquadrão Ligação e Observação
  • 1º Batalhão de Saúde (Destacamento de Comando, Pelotão de Tratamento e 3ª Cia. Evacuação)
  • Elementos da 1ª Cia. de Intendência
  • Quartel-General da 1ª DIE e Cia. do QG
  • Depósito de Intendência
  • Banda de Música
  • 1º Grupo Suplementar Brasileiro em Hospitais Americanos
  • Pelotão de Sepultamento.
Luiz Venturi – Segundo Tenente

Então meu futuro avô seguiria com mais de 25 mil homens para a missão de livrar o mundo do nazismo. O Eixo tinha que ser derrotado, do contrário, não estaríamos aqui para viver e contar histórias. Não eram tempos fáceis e não era fácil para nenhum deles. Na foto, se vê um jovem de 25 anos, com 1,70m de altura, cabelos castanhos médios, olhos azuis, pele branca, agricultor, de família humilde, nascido em uma cidade muito pequena do interior e que, de repente, estava atravessando o Oceano para lutar inclusive contra italianos, sendo que seus avós migraram deste país para o Brasil.

Pelo que conseguimos ler no verso de uma foto, trata-se de uma Formatura de Guerra:

Itália, 20 de maio de 1945. Lembrança do General, que durante esta guerra eu estive incluído…de quando fui formado. O General que está só, “3” homens, o quarto, o quinto e o último destacamento em Lu Monferrato, Província de Alessandria (Piemonte, Itália).

Estes registros numerados trazem-nos as seguintes lembranças:

  • 1. Luiz Venturi em 08 de julho de 2000, com a boina da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – ANVFEB.
  • 2. Descrição do Ex-Combatente com dados que estão transcritos nesta postagem.
  • 3. 32º Batalhão de Caçadores, do município de Blumenau, Santa Catarina, onde esteve prestando serviço militar ao ser convocado para a guerra. Depois esta Unidade passou a denominar-se 23º Batalhão de Infantaria.
  • 4. Navio americano de transporte de tropas que seguiu para a guerra.
  • 5. Contingente que fez parte do embarque do 3º Escalão da FEB – Força Expedicionária Brasileira.
  • 6. Emblema de tecidos (Coração Brasil) do Exército Brasileiro na época. Foi usado durante o tempo em que permaneceram na Itália, como também foi usado depois para o emblema da cobra fumando. Cada soldado teve que conseguir este emblema da cobra com os civis da região onde estavam acampados, o Exercito não forneceu. Não era obrigatório o uso deste último, apenas o do Coração Brasil.
  • 7. Emblema do 5º Exército Americano ao qual a FEB se uniu como aliada. Só os Oficiais da FEB usaram este e fora do front.
  • 8. Arma americana que foi utilizada para treinamento e combates.
  • 9. Capacete americano, de aço, Modelo 1. Por baixo deste, usava-se um capacete de fibra.
  • 10. Medalha de Campanha recebida no retorno da Guerra.
  • 11. Monumento Homenagem aos Expedicionários em Rodeio, Santa Catarina.
  • 12. Monumento Homenagem aos Expedicionários em Guaramirim, Santa Catarina.
  • 13. Bandeira da ANVFEB – Seção Regional de Jaraguá do Sul, Santa Catarina.
  • 14. Grupo de Ex-Combatentes da Associação (datando entre 1986 e 1990) no Monumento de Guaramirim, Santa Catarina.

Ele não gostava de falar sobre o tempo que passou lá. Voltou, casou, teve 7 filhos e 1 filha. Continuou na agricultura e posteriormente pensionista do Ministério do Exército (Lei 8.059, de 04/07/1990, Art. 53, do ADCT – Constituição Brasileira de 1988).

Convivi pouco com ele e há muito a lamentar isto. Partiu em 2002, quando eu tinha 21 anos e nenhum discernimento sobre a riqueza que ele continha muito além de ser meu avô.

Nas lembranças, todas valiosas, uma carteirinha da minha avó, resume tudo que podemos falar sobre ele e todos os brasileiros e brasileiras que doaram suas vidas numa luta, sempre inglória ainda que vencedora, pois as guerras nunca são justas, nem felizes:

Segundo o livro “Os Pracinhas do Vale do Itapocu”, Ferdinando Piske, já apresentado aqui, 67 enfermeiras brasileiras trabalharam em vários Hospitais de Campanha na Itália, atendendo aos combatentes da FEB feridos em ação ou em acidentes, e outras 6 atuaram junto ao 1º Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira, com a mesma missão.

Milhares de mães, avós, irmãs, namoradas e esposas ficaram com suas vidas suspensas em orações, aguardando o retorno de seus entes queridos. Infelizmente, 459 militares brasileiros morreram em ação na Itália. Dos 956 catarinenses, 29 perderam suas vidas.

A Força Expedicionária Brasileira (conhecida também pela sigla FEB), criada na data de hoje, 09 de agosto, em 1943, foi uma força militar aero-terrestre constituída na sua totalidade por 25.834 homens e mulheres, que durante a Segunda Guerra Mundial foi responsável pela participação do Brasil ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, em suas duas últimas fases — o rompimento da Linha Gótica e a Ofensiva Aliada final naquela frente. Tal força (incluídos todos rodízios e substituições) era formada por uma divisão de infantaria completa (também batizada como 1ª DIE, 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária), uma esquadrilha de reconhecimento, e um esquadrão de caças. Seu lema de campanha “A cobra está fumando”, era uma alusão irônica ao que se afirmava à época de sua formação, que seria “Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa.” (Fonte: Wikipédia)

Esta postagem é um registro histórico e uma forma de agradecer meu avô e todos os combatentes, que, com suas vidas, defenderam nossa liberdade, nossa oportunidade de viver. Muito obrigada pelo sacrifício de todos!

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