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O Que é Bom para as Mulheres é Bom para o Mundo

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 por Danielle Nierenberg

Durante a década de 90, várias das principais conferências das Nações Unidas ressaltaram a importância da inclusão das mulheres no desenvolvimento sustentável. Mas, apesar dos compromissos no papel, houve muito pouca ação. A igualdade real e significativa entre mulheres e homens exigirá muito mais do que a inserção de um parágrafo aqui ou ali nos documentos emitidos numa convenção das Nações Unidas ou em leis nacionais. A miopia de gênero – ou cegueira às questões femininas – ainda distorce as políticas ambientais, econômicas e da saúde. Hoje, uma década após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, Brasil, governos, agências de desenvolvimento e até mesmo algumas ONGs continuam firmemente patriarcais. Apesar da crença generalizada de que as mulheres “avançaram muito” na conquista da melhoria social e econômica, continuam a enfrentar muitos dos mesmos obstáculos de uma década atrás. E em alguns casos, estes problemas se tornaram ainda mais intimidantes.

Na Rio-92, as mulheres se uniram como nunca e apresentaram uma visão de um mundo onde todas as mulheres seriam instruídas, livres de violência e capazes de fazer suas próprias escolhas reprodutivas. Como consequência dessa mobilização, a Declaração do Rio e a Agenda 21 determinaram a participação plena das mulheres no desenvolvimento sustentável e a melhoria de sua situação em todos os níveis da sociedade.

O trabalho que começou na Conferência de 92 não terminou no Rio. Devido aos esforços das ONGs femininas lá, a saúde e os direitos humanos das mulheres foram incluídos na agenda internacional. A Agenda 21 do Rio abriu caminho para a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) no Cairo, Egito, em 1994. O Programa de Ação do Cairo reafirmou os direitos das mulheres e sua participação equitativa em todas as esferas da sociedade, como pré-requisito para a melhoria do desenvolvimento humano.

As declarações e promessas feitas nessas conferências foram os primeiros passos significativos para a melhoria de vida das mulheres, porém ainda resta muito a fazer. Consideremos a estatística abaixo, divulgada pelas Nações Unidas e outras organizações ambientais e de saúde:

  • Mais de 350 milhões de mulheres em todo o mundo não dispõem de acesso a serviços de planejamento familiar.
  • Mais de 500.000 mulheres morrem, anualmente, de complicações durante a gravidez e o parto.
  • O crescimento populacional ainda está acelerado nas 48 nações menos desenvolvidas aproximadamente 80 milhões de pessoas são adicionadas ao planeta, anualmente. Muitas delas nascem em locais onde a falta de infraestrutura e serviços públicos limita o tempo de vida tanto de jovens quanto de idosos.
  • A maior geração de jovens da história da humanidade – 1,7 bilhões de pessoas entre 10 e 24 anos – está prestes a entrar em seu período reprodutivo. A onda jovem ocorre ao mesmo tempo em que o financiamento internacional para planejamento familiar e contraceptivos, especialmente dos Estados Unidos, foi abolido. Consequentemente, muitos dos jovens ficam privados de orientação e dos mecanismos para se protegerem de gravidezes indesejadas, relacionamentos violentos e doenças sexualmente transmissíveis.
  • Em quase todo o mundo em desenvolvimento, a maioria das novas infecções de HIV/

AIDS ocorre em jovens, sendo as mulheres as mais particularmente vulneráveis. Na África subsaariana, onde a AIDS se dissemina mais rapidamente do que em qualquer outro local do planeta, as mulheres representam 55 por cento de todos os novos casos de HIV. A maioria delas não tem autonomia sexual para recusar o sexo ou exigir que seus “parceiros” utilizem preservativos.

  • A violência de gênero assume várias formas e aflige moças e mulheres durante toda a vida. Mundialmente, uma em cada três mulheres é agredida, forçada ao sexo ou sujeita a abusos durante sua existência. Na China e na Índia, cerca de 60 milhões de moças são consideradas “desaparecidas” devido a abortos sexo-seletivos, infanticídio feminino e desprezo. Mais de 2 milhões de mulheres são submetidas à mutilação genital, anualmente, levando a uma vida de sofrimento e trauma psicológico.
  • Apesar dos avanços da educação, tanto para meninas e meninos, dois terços dos 876 milhões de analfabetos no mundo são mulheres. Em 22 países africanos e 9 asiáticos, a matrícula feminina é inferior a 80 por cento da masculina, e apenas cerca de metade das moças nos países menos desenvolvidos continua na escola após a 4a série.
  • Em grande parte do mundo, lares de mães solteiras abrigam um número desproporcional de crianças pobres.
  • Globalmente, as mulheres ganham, em média, dois terços a três quartos da remuneração masculina para o mesmo trabalho. Além disto, as mulheres desempenham a maior parte do trabalho invisível – mantendo a casa, cozinhando, recolhendo lenha e água, cuidando dos filhos, jardinando – que sustenta o ambiente doméstico. A maioria da contabilidade econômica oficial não prevê o valor do trabalho invisível. Se fosse “contabilizado” seria avaliado em cerca de um terço da produção econômica mundial.
  • As mulheres estão enormemente sub-representadas em todos os níveis de governo e em instituições internacionais. Em 2000, as mulheres detinham apenas 14 por cento de participação nos parlamentos mundiais. Nas Nações Unidas, as mulheres compunham apenas 21 por cento da alta administração, em 1999.

A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, na África do Sul, é uma oportunidade para os líderes mundiais eliminarem essas desigualdades, reconhecendo que o que é bom para as mulheres é bom para o mundo. Além de incrementar os direitos humanos, a melhoria de vida das mulheres inclui uma vasta gama de benefícios colaterais – desde menor crescimento populacional e diminuição da taxa de mortalidade infantil, até melhor gestão de recursos naturais e economias mais saudáveis. Para que ocorram mudanças efetivas de gênero e população, as nações deveriam adotar as seguintes medidas:

  • Cumprir ou vencer as metas estabelecidas em Cairo e remover as barreiras ao tratamento da saúde reprodutiva e abrangente, em nível nacional. No Cairo, os países concordaram em gastar US$ 17 bilhões anuais (em dólares de 1993) até 2000 para fornecer acesso universal aos serviços básicos de saúde reprodutiva a todos, até 2015. Ironicamente, as nações mais pobres do mundo estão mais próximas de atingir as metas do Cairo do que os países mais ricos – despendendo quase 70 por cento do seu compromisso. As nações ricas, por outro lado, não atingiram nem 40 por cento do seu compromisso do Cairo.
  • Agir junto aos Estados Unidos para remover as barreiras ao financiamento internacional para planejamento familiar. A lei da mordaça global que proíbe o financiamento dos Estados Unidos a agências internacionais que simplesmente mencionem o aborto a seus clientes, deve ser sumariamente abolida pelo Presidente Bush. O governo também deve cumprir sua promessa de US$ 34 milhões para o Fundo de População das Nações Unidas.
  • Aumentar o número de mulheres na administração pública. A WEDO [Organização Feminina para o Meio Ambiente e Desenvolvimento] e outros grupos reclamam uma representatividade 50/50 em todos os níveis – desde conselhos de vilarejos até o mais alto escalão dos parlamentos nacionais. Na África do Sul – onde foi estabelecido um sistema de cotas em 2000 – as mulheres estão gradativamente conquistando assentos na Assembleia Nacional, detendo, hoje, 8 das 29 cadeiras.
  • Remover obstáculos que impedem a matrícula e acesso de meninas às escolas. Estudo após estudo revela que moças com maior grau de instrução não apenas têm menos filhos, mas também mais saúde para si e seus filhos. No Egito, apenas 5 por cento das mulheres que permaneceram além do primário tinham filhos ainda na adolescência, enquanto mais da metade das mulheres sem instrução se tornaram mães nessa idade.
  • Educar homens e meninos sobre a importância da igualdade de gênero e compartilhamento de responsabilidades. Estereótipos e expectativas culturais sobre a masculinidade impedem muitos homens de assumir responsabilidade pela saúde reprodutiva e pelos cuidados com as crianças. Alguns se sentem ameaçados pela independência das mulheres e expressam sua macheza pela violência ou pela retenção da renda familiar. À medida que mudam os papéis dos homens, o esforço para incluí-los no planejamento familiar e saúde reprodutiva está adquirindo ímpeto. Na Nicarágua, workshops para desaprender o machismo e melhorar as técnicas de comunicação resultaram em menos violência doméstica. E em Máli, voluntários masculinos foram treinados para prestar informação sobre saúde reprodutiva e planejamento familiar, e distribuir preservativos.
  • Aumentar a conscientização dos jovens sobre questões de saúde reprodutiva, inclusive HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Em países como Uganda e Senegal, o compromisso governamental à educação sobre AIDS, tanto em nível nacional quanto local, ajudou a controlar a epidemia nessas nações. No México, programas de aconselhamento parceiro fazem com que jovens conversem e sejam educados por jovens sobre saúde sexual, melhorando a comunicação entre as gerações sobre a sexualidade e planejamento familiar.
  • Promulgar e aplicar legislação firme para proteger as mulheres contra a violência. Muitas leis nacionais não resguardam as mulheres de relacionamentos violentos ou impossibilitam processar homens por agressões, estupro e outras formas de abuso. Alguns países – México e Filipinas, por exemplo – reformaram sua legislação sobre o estupro, considerando o ato como “um crime contra a liberdade individual. ” Em Belize e Malásia, leis e códigos penais foram alterados, passando a considerar a violência doméstica como crime.

Comentário Do Dia

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Juro que tento me manter alheia, mas não consigo.

Vamos lá:

O que dizer dos dois que espancaram aquele senhor trabalhador até a morte no dia de Natal? E além de tudo, a cara de pau de querer culpar um inocente assassinado?

Outra: uma professora foi dar aula no presídio por sentir-se mais segura do que em uma escola pública. Na reportagem ela disse estar cansada de ser agredida em sala de aula e que no presídio há muito mais segurança.

Calçada é para pedestres, rua é para automóveis e ponto. Cada um no seu lugar e cada coisa no seu lugar. Respeito pelo patrimônio público e privado, cada qual no seu quadrado e tudo funciona, por que é tão difícil entender e praticar isso?

Quem me conhece, sabe que eu não mando dizer. Eu sou assim, por isso muitos me amam e outros tantos me odeiam, então hoje encontrei um conhecido comprando várias garrafas para comemorar a virada de ano, segundo ele, na praia, entre outros itens. Perguntei se ele já tinha comprado uma boa sacola para levar tudo isso ao descarte correto mais próximo e ele não gostou. Me disse que tem gente “pra recolher essas coisas” no outro dia, ou seja, a comemoração será regada por muito lixo, obrigada. Só um detalhe: o filho desta pessoa cortou gravemente o pé na virada de ano 2013/14 porque alguém igual a ele deixou uma garrafa e quebrada na praia.

Vi uma família, pai, mãe e três crianças caminhando: uma das crianças atirava pedra nos cachorros das casas, outra descartou o pacote de salgadinhos no chão e a terceira, pequena, quase não conseguia acompanhar e ficava para trás. Nenhuma atitude digna dos pais para educar e cuidar dos filhos, por que colocaram no mundo?

Ouvi gente defendendo o nazismo e de como seria bom se Hitler tivesse conseguido criar uma “raça pura” e então “o mundo” não estaria assim. Eu fiquei pensando se a pessoa tem algum conhecimento do que é nazismo e a que raça tão pura ela pertence para se achar tão superior…

Pessoas queimadas vivas, fugas intermináveis e sem destino, guerras sem fim, interesses milionários encobertos por relações diplomáticas. Fome, miséria, medo, morte e…omissão da enorme platéia que assiste e se cala, vira a página do jornal, desliga a televisão e tudo continua acontecendo sem nenhuma interferência de uma humanidade que se diz muito evoluída.

Vi outra defendendo veementemente o aborto (cada um com sua opinião) mas quando eu dei a minha opinião de que concordo e muito com uma educação intensa, bem elaborada e extensa de controle de natalidade ensinando as pessoas a utilizarem os métodos anticoncepcionais, programarem suas famílias e se protegerem de doenças ela disse que isso não seria possível porque “o ser humano” é assim mesmo. Ou seja, somos animais totalmente “ineducáveis” e assim, é melhor matar seres indefesos, não tem outro jeito segundo essa “pessoa”…. Sinceramente essa para mim foi cruel demais…

E assim, queremos começar um novo ano…com tudo novo…

Meu Deus, para onde vamos?

Para Terminar o Ano Bem e Começar O Ano Novo Ainda Melhor

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♥ A Vida SEM Amor

♥ Inteligência sem amor, te faz perverso.
♥ Justiça sem amor, te faz implacável.
♥ Diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
♥ Êxito sem amor, te faz arrogante.
♥ Riqueza sem amor, te faz avarento.
♥ Docilidade sem amor, te faz servil.
♥ Pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
♥ Beleza sem amor, te faz ridículo.
♥ Autoridade sem amor, te faz tirano.
♥ Trabalho sem amor, te faz escravo.
♥ Simplicidade sem amor, te deprecia.
♥ Tragédia sem amor, se faz tristeza.
♥ Fé sem amor, te faz fanático.
♥ A Cruz sem amor, se faz tortura.
♥ A Vida sem amor…não faz sentido.

♥ A Vida COM Amor: ♥

♥ Inteligência com amor, te traz razão.
♥ Justiça com amor, te faz correto.
♥ Diplomacia com amor, te faz sensato.
♥ Êxito com amor, te faz feliz.
♥ Riqueza com amor, te faz generoso.
♥ Docilidade com amor, te faz querido.
♥ Pobreza com amor, te traz compaixão.
♥ Beleza com amor, te faz sublime.
♥ Autoridade com amor, te faz honesto.
♥ Trabalho com amor, te faz apaixonado.
♥ Simplicidade com amor, te enobrece.
♥ Tragédia com amor, te traz coragem.
♥ Fé com amor, te faz tranqüilo.
♥ A Cruz com amor, se faz esperança.
♥ A Vida com amor…é o paraíso.

Madre Teresa de Calcutá nos deixa estes belos ensinamentos, adaptados por um autor desconhecido que engradeceu ainda mais sua mensagem de amor.

Como presente, compartilho o Calendário 2017 Serasa Experian com as Datas Comemorativas do novo ano.

♥ Feliz Natal e Feliz 2017! 

Chapecoense, O Time Que Conquistou O Mundo

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Não conseguia pensar, muito menos escrever. A notícia, tão chocante quanto inacreditável inebriou os sentimentos, escureceu o entendimento, silenciou o futuro. Do sonho ao pesadelo, em poucas horas; da festa ao luto; da esperança de vitória em campo à insignificância perante a tragédia.

De repente títulos, times e suas rivalidades não tinham mais nenhuma importância e de um grande elenco que voou sorrindo, volta-nos aviões oficiais trazendo os que nunca mais poderão sorrir.

O mundo todo se uniu em uma só torcida, em uma só consternação, em uma corrente humanitária que eu jamais vi no mundo do esporte.

A incredulidade deu lugar a solidariedade. Era preciso fazer algo pelos sobreviventes, pelas famílias, pelos amigos, pelo clube, pelos torcedores; era preciso pensar, agir, agilizar, confortar e por mais dolorosa que fosse a completa escuridão da morte, era preciso iluminar a vida.

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Aquele que disputaria um troféu em campo, o Atlético Nacional da Colômbia abriu mão do título que não pode mais ser disputado, nem é mais cobiçado e não tem mais o valor que tinha. Passou a ter outro sentido, passou a ser um símbolo de solidariedade, uma oportunidade de homenagear os que se foram e acalentar os que ficaram.

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Páginas inimagináveis se escrevem na história. A Chapecoense que era o Brasil na Copa Sul-Americana de Futebol, pintou de verde o mundo inteiro, silenciou torcidas, fez os campos de futebol terem a grama regada com lágrimas e nos envolveu em uma reflexão coletiva sobre a vida, sua importância e sua brevidade.

Minha bela Santa Catarina, que eu amo tanto, de onde eu nunca consegui escolher um único time para torcer e que eu jamais torci contra mesmo quando na disputa com um grande time nacional de coração, chora a perda daqueles que estavam nos enchendo de alegrias e orgulho, que mostravam a força de um povo humilde, trabalhador e que mais uma vez, tem que superar a dor e recomeçar.

Fica nossa oração pelos que se foram, pelos sobreviventes, por familiares, amigos, pela cidade de Chapecó, por todos aqueles que mostraram e mostram solidariedade, respeito e empenho para continuar a vida que segue, escrevendo seus dias.

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Breve histórico:

Associação Chapecoense de Futebol (ACF) é um clube de futebol brasileiro, sediado na cidade de Chapecó, Santa Catarina. Foi fundado em 10 de maio de 1973, com o objetivo de restaurar o futebol na cidade de Chapecó. Sua origem está ligada ao fato de que, na década de 1970, a região possuía apenas alguns times amadores, sendo inexpressiva em relação ao futebol profissional. Com o propósito de reverter esta situação, alguns desportistas da cidade, jovens apaixonados pelo esporte, decidiram se reunir para criar um time de futebol profissional para a cidade.

Às 22:15 h (hora local) de 28 de novembro de 2016 (1:15 h, do dia 29 de novembro no Brasil) uma aeronave da empresa venezuelana Lamia, com matrícula CP 2933 proveniente de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, caiu em Cerro Gordo, setenta e sete pessoas a bordo, inclusive toda a equipe do time brasileiro da Chapecoense que iria a Medellín onde disputaria uma partida contra o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana.

O time teve um voo direto a Medellín vetado pela Agência Nacional de Aviação Civil, então serviu-se da escala na Bolívia, para onde viajou em voo comercial. Deixaram de acompanhar a equipe os jogadores Neném, Demerson, Marcelo Boeck, Andrei, Hyoran, Martinuccio, Nivaldo e Rafael Lima que não seriam usados pelo técnico Caio Júnior; também não acompanhou o time o prefeito de Chapecó, que fora convidado a integrar a comitiva. Rodrigo Ernesto e Pablo Castro, que são responsáveis pela logística do clube, já estavam na Colômbia, onde aguardavam sua chegada.

Comentário do Dia

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Entro em uma loja e considero um produto caro, então a vendedora me diz:
– Pensa bem, esse produto está custando R$ 40,00 mas uma dúzia de ovos já está R$ 6,00 e o ovo é só sair do fiofó da galinha e está pronto, olha o trabalho para produzir isso.
Então eu pergunto:
– Você tem uma galinha?
– Não, claro que não, mas é tão simples.
– É simples ter a galinha, alimentar ela, ter um local para que ela viva e aquecer este local e ter muito mais que uma para fazer muitas dúzias todos os dias. Do fiofó não sai só ovos, tem que limpar e ai recolher, colocar numa embalagem, dai vem um caminhão e transporta estes ovos para um centro de distribuição e depois para o mercado e dai você vai lá e compra por R$ 6,00 e acha que é simples?
– Ah, mas não tem comparação, um ovo você comeu e acabou e isso aqui você vai ter por muito tempo.
– Mas você não tem que comer e beber todos os dias? Sem isso aqui você vive, sem comer não. Se você não comer e bem você não tem saúde, se não tem saúde não trabalha, se não trabalha, não tem dinheiro e se não tem dinheiro não compra nem isso e nem nada.
– Mesmo assim, não tem comparação.
E eu encerrei a conversa concordando.
Afinal, não tem mesmo comparação.

Então vou em outra loja e penso alto pensando estar falando comigo mesma:
– Nossa! Como isso aqui aumentou desde a última vez que eu comprei… (eu nem falei que estava caro, só que aumentou).
Então uma vendedora diz:
– Mas é claro, tudo aumentou, não viu o preço que está o pão?
E outra cliente emenda:
– Pois é, não dá mais nem para comer pão…
Então eu penso em explicar quantos ingredientes vão para produzir o pão e que são produzidos em locais tão diferentes e que vão para as mãos do padeiro, que tem toda a mão de obra e depois são assados no forno que consome tanta energia e por fim uma grande quantidade é desperdiçada, porque aquele que está “pagando caro” quer tudo fresco, feito na hora e nem pensa no que está indo para o lixo, mas eu desisto, porque seria inútil.

Por fim chego em uma feira de frutas e verduras.
Fico observando as conversas:
Tudo caro, tudo “pela hora da morte”, tudo feio, tudo que deveria ser muito melhor e mais bonito pelo preço que se paga.
Então observo uma senhora sentada quietinha quase lá no caminhão do verdureiro.
Puxo conversa e descubro que ela está ali esperando o final da feira porque o feirante doa as sobras do dia e para ela isso faz toda diferença. Disse que boa parte do que come durante toda semana vem dali.
Já olhei o verdureiro de forma diferente, é um herói do dia a dia que contribui melhorando a vidas das pessoas do jeito que pode, enquanto muitos descartam as sobras em qualquer canto.
Mostro para a senhora um objeto de decoração em uma barraca instalada ao lado da feira e ela sabiamente me diz:
– Veja só, isso aqui é muito bonito, custa mais de R$ 30,00, mas você leva, coloca numa mesa ou numa estante para enfeite e fica ali e pronto. Com R$ 30,00 dá para comprar um monte de verduras, frutas, ovos (olha o fiofó da galinha aqui) e para comer muito. Claro que cada produto tem seu valor mas se comparar com a comida, a comida não é cara.

Ela, em sua simplicidade e necessidade entendeu o que aquele que pode comprar não entendeu.
Nunca, jamais, poderemos comparar o valor da comida com qualquer outra coisa, água e alimento são fundamentais e ponto final.
As pessoas se habituam a pagar caro por coisas que poderiam até ser mais baratas se elas não fizessem esta comparação absurda, desproporcional, sem sentido.

Em países desenvolvidos os alimentos são realmente muito caros e o desperdício é punido quase como um crime. Você não pode simplesmente descartar comida e muito menos em qualquer local, você tem que pagar para jogar alimentos fora.
Há centros que cuidam até da última ponta de folha de alface para que não se perca, as pessoas tem o discernimento de que alimentar-se e bem vem em primeiro lugar e que a comida, ao contrário do que a maioria pensa, não é só plantar e colher, ou recolher depois da galinha ponhar.

Não estou aqui para tabelar os alimentos e muito menos outros produtos ou serviços. Estou aqui para dizer que é preciso dar valor ao que se come e se bebe, a quem produz, a quem distribui. Estamos num país rico em produção de alimentos e muitos ainda passam fome.

Vai entender o ser humano…

Guaramirim, Sua Linda!

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É impossível dimensionar o amor que tenho por este lugar. Se é verdade que criamos raízes, então ao nascer minhas raízes cravaram-se forte neste município que sempre foi minha casa, meu chão, meu espaço no mundo.

Estou vivenciando e analisando o quanto cresce, o quanto muda e o quanto necessita de atenção, carinho, empenho e trabalho sério, responsável, digno e honesto.

Novamente às vésperas de mais uma eleição e já tendo vivido alegrias e decepções ao longo de mais de três décadas, deixei meu pedido em uma rede social e o transcrevo nesta postagem, com a esperança que daqui quatro anos eu possa reler e ver que as coisas mudaram para melhor:

“Senhores e Senhoras candidatos e candidatas aos cargos de prefeito (a) e vereadores no município de Guaramirim,

Neste pleito não apoiei publicamente ninguém e sinceramente ainda estou lendo os projetos de trabalho de suas candidaturas, mas peço, encarecidamente, que olhem além do pleito de quatro anos.
Não vou listar o que o município precisa e não estou aqui para criticar ou exaltar ninguém, mas é preciso com urgência que se olhe este município com olhos de futuro e não de “tapa buraco”.

Vocês já ouviram um ditado que diz “quem tem terra, nunca erra?”, pois é, cadê as áreas públicas de Guaramirim?

Vocês já fizeram as contas de quanto se gasta alugando um lugarzinho aqui, outro ali, adaptando, reformando e trocando de lugar setores que funcionam espalhados sob o “chão privado”?

Até agora eu não li em nenhum programa alguém que tenha a pretensão (e a cumpra) de comprar um terreno público, planejar um bom prédio que seja útil pelo menos pelos próximos 20 anos e colocar tudo lá para funcionar adequadamente, sem remendos, sem aluguel, sem trocas de lugar e com o mínimo de comodidade que o povo merece.

Façam as contas de quanto se gasta com alugueis e remendos no que é dos outros e tenho certeza que sim, é possível, como grande arrecadador que este município é, construir algo público, adequado, moderno e descente como Guaramirim merece.

Outro ponto é o de sempre, parecemos um bairro abandonado de Jaraguá do Sul, sabem por quê?

Porque não temos identidade, não temos uma cultura nossa! Cadê nossa festa típica? Cadê nosso museu?

Sim, todos os municípios vizinhos tem sua própria cultura e nós, por que não temos?

Há outras prioridades? Há. E por que por uma coisa temos que abrir mão de outra? Não temos competência para tudo?

Temos, temos sim, mas tem que se ter uma visão de longo prazo, de futuro, muito além de 4 anos.

Precisamos sim de um lugar público para eventos e este local só vai dar prejuízo se for mal administrado, do contrário, outros municípios não teriam até mais que um.

Por que não há uma área arborizada de lazer nos bairros e em terreno público para os moradores? Porque não há terreno público nos bairros…já passou do tempo de consertar isso.

Guaramirim é um dos únicos lugares onde as entidades, associações de moradores, pais, agricultores, esportistas e afins são vistas quase como inimigas do setor público quando são, na verdade, grandes parceiras que merecem apoio, reconhecimento e trabalho conjunto. Nos outros municípios se vê entidades com 20, 30, 40 anos, sempre trabalhando em parceria, enquanto aqui, minguam ou morrem prematuramente.

E se é para falar de “terra pública”, vamos pegar um exemplo onde é possível fazer muito melhor: o posto de saúde do centro já deveria ser um prédio faz muito tempo, deveria ter atendimento especializado 24 horas, setores bem distribuídos, atendimento de ponta, por que ainda não é?

É preciso mais cuidado com as construções irregulares. Será que é tão difícil investir mais e melhor no setor de fiscalização?

Senhores e Senhoras, “tapem os buracos” urgentes e façam o que realmente é necessário, útil e duradouro.

Um pleito tem que dar continuidade em grandes projetos que o anterior começar, nós povo e vocês, candidatos, vivemos no mesmo ambiente.

É para nós mesmos que temos que pensar melhor, projetar melhor, investir melhor e construir um lugar melhor e digno.

Dá trabalho? Sim, é para trabalhar pelo bem comum que nós que pagamos e vocês que administram estamos aqui.

Obrigada.”

Postagem em 12/09/2016 – https://www.facebook.com/tinaventuri1980/posts/852049594931541

Por Que Junto Latinhas?

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As pessoas me perguntam por que ou para que junto as latinhas vazias por onde encontro e sempre lhes parece inconcebível tal atitude.

Pois bem, venho explicar porque junto e posteriormente vendo todas elas.

Desde novembro do ano passado até o dia de hoje, consegui R$ 103,60 com a venda das latinhas. Não fico pelas ruas “catando”, mas sempre que uma está no caminho ou um colega/vizinho quer doá-las, eu aceito.

O valor que arrecado é utilizado para comprar ração para cães abandonados que estão acolhidos em dois endereços. Hoje são pelo menos 15 cães das mais diversas raças (ou nenhuma raça) e tamanhos que, abandonados à própria sorte nas ruas do interior da cidade, acolhemos e alimentamos.

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Digo “acolhemos” no plural porque a iniciativa é minha, de minha mãe e de um tio. Logicamente não é possível alimentar os cães com o valor que é arrecadado e desta forma, “patrocinamos” do próprio bolso a alimentação dos mesmos.

Não recolhemos cães, ou seja, não vamos atrás de pessoas que queiram desfazer-se de seus animais, nós acolhemos os que perdidos ou sedentos de fome, nos imploram ajuda.

Nossa principal dificuldade está com as fêmeas. A castração seria o melhor caminho, mas se torna muito caro e por vezes nos vemos com novos filhotes que tentamos doar ou que sobem o número de alimentados.

Este foi o motivo que considerei para fazer o recolhimento e venda das latinhas. É algo honesto, fácil e que modestamente ameniza nossos gastos.

Atitudes como esta se multiplicam pelo Brasil, país onde a falta de educação e impunidade andam de mãos dadas, dificultando políticas de proteção aos animais, punição à crueldade e irresponsabilidade de pessoas inconscientes de seu papel no ambiente em que vivem.

Vemos melhoras e cada melhora é uma vitória. Sempre recordo desta história quando um cão agradece abanando seu rabinho:

“Era uma vez um escritor que morava em uma praia tranquila, próximo à uma colônia de pescadores.
Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar e, a tarde, ficava em casa escrevendo.
Certo dia, caminhando pela praia, viu um vulto ao longe que parecia dançar.
Ao chegar perto, reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia, para, uma a uma, jogá-las de volta ao oceano, para além de onde as ondas quebravam.
– Por que você está fazendo isto? – perguntou o escritor.
– Você não vê? – explicou o jovem, que alegremente continuava a apanhar e jogar as estrelas ao mar.
– A maré está vazando e o sol está brilhando forte… elas irão ressecar e morrer se ficarem aqui na areia. – o jovem completou.
O escritor espantou-se com a resposta e disse com paciência:
– Meu jovem, existem milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Você joga algumas poucas de volta ao oceano, mas a maioria vai perecer de qualquer jeito. De que adianta tanto esforço, não vai fazer diferença?
O jovem se abaixou e apanhou mais uma estrela na praia, sorriu para o escritor e disse:
Para esta aqui faz! – e jogou-a de volta ao mar.”