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Dia do Estudante

Caderno

Saudades talvez ou uma reflexão, a foto é do meu primeiro caderno em sala de aula e naquele longínquo 1987 se chamava a 1ª Série do 1º Grau.

Não frequentei o pré-escolar, fui alfabetizada em casa. Havia uma tradição familiar na época que consistia em colocar vários objetos lado a lado na mesma proporcionalidade ao alcance das crianças que completavam 2 anos de idade. Valia tudo: talheres, ferramentas, objetos de decoração representando bonecas, carros, aviões, artigos para produção de artesanato e costura, lápis, borracha e uma caneta, uma simples Caneta BIC sem nenhum atrativo, mas foi ela que eu peguei e não larguei mais. Diziam que este seria o objeto de trabalho do futuro adulto e reconheço que acabou dando certo comigo e com muita gente.

Lá fui eu, com a canhota rabiscando paredes, cadeiras, mesas e tudo que havia pela frente e assim começaram também meus primeiros rabiscos no papel. Em 1994 meu primeiro emprego não poderia ser outro: atendente em uma papelaria. Soava quase óbvio tal era meu amor por cadernos, livros e todos os artigos de papelaria e escritório.

Também naquele ano de 1994 eu estava me formando datilógrafa como já comentei nesta postagem. Em 1996 já era hora da informática e com certeza a maioria dos leitores nem imaginam o que eram o MS-DOS e o QUATTRO-PRO, mas vamos deixar eles esquecidos lá no passado.

Em 1997 eu me formava Técnica em Contabilidade tendo até ai estudado 11 anos integralmente no ensino público, um ensino tão distante do atual que parecem há 100 anos de distância.

Estudei numa “escola isolada” municipal, assim se chamava na época. Haviam apenas duas salas e era normal duas turmas de séries diferentes estarem ao mesmo tempo em sala de aula: uma virada para um lado e outra para o outro, com um quadro em cada parede e a mesma professora se revesava para dar aulas diferentes no mesmo ambiente. Não houve nenhum problema quanto a isso, cada um sabia o que tinha que fazer e conseguíamos desenvolver o que se esperava de nós.

A partir da 5ª série fui para outra escola, a “básica”, estadual, onde completei o primeiro grau. O segundo foi um “colégio estadual” e foi onde fiz o curso técnico.

As diferenças, além das matérias: religião, preparação para o trabalho, educação moral e cívica eram muitas.

Não se ganhava o uniforme escolar nesta época, ele tinha que ser comprado em lojas do município e os pais eram responsáveis por isso. Como a maioria de nós éramos pobres e morávamos em simples casas de madeira, onde se tinha que dormir com o cobertor sobre o rosto mesmo no verão para não comer “farinha dos cupins”, havia uma troca intensa entre os vizinhos: os maiores iam deixando o uniforme para os menores e como eram idênticos para meninos e meninas (blusa branca, bermuda e calça azuis e a saia de prega só nos eventos especiais) usei roupa de “menino” e minhas roupas “de menina”, exceto as saias também serviram e bem para meninos. Ninguém via nenhuma maldade ou humilhação nisso, era assim, todos se entendiam e se havia alguém extremamente pobre, rifas ajudavam a comprar o uniforme “inicial”, depois todos faziam parte do mesmo rodízio.

Não haviam muros ou portões, no máximo muros de contenção de barrancos. As escolas eram áreas abertas, livres, qualquer um poderia chegar nas portas das salas, conversar conosco na hora do recreio e observar toda movimentação do local. Íamos estudar a pé ou bicicleta e os pais só nos levavam quando tinham que falar com a professora ou em caso de doença, porque estudávamos mesmo com gripe, dor de barriga, dor de cabeça. A professora se tornava a enfermeira e ela mesma diagnosticava se não havia mesmo condições de ficarmos e então pedia para alguém ir chamar os pais ou ela mesmo levava o aluno até em casa, se morasse próximo.

Em 11 anos de estudos não lembro de nenhuma reforma nas escolas, com exceção dos danos causados por inundações ou vendavais. Tudo era feito para durar, da telha a tinta, havia boa qualidade no todo. Se, por acaso, um aluno causasse prejuízo à escola, os pais eram chamados e responsabilizados, todos ficavam sabendo e eram repreendidos para que nunca fizessem igual.

ping pong

Se algo sumia na sala, todas as mochilas eram revistadas até encontrar o “ladrão” e este tinha que devolver o objeto de furto (geralmente uma figurinha de chicletes da Coleção Ping-Pong), pedir desculpas e assumir que nunca mais voltaria a fazer aquilo. Dado o fato e devolvido ao dono legítimo, todos voltavam a brincar juntos como se nada tivesse acontecido.

Se havia bullyng? Este nome nem existia mas sim, havia. Todos tinham apelidos e às vezes, irritantes. Se falasse ou fizesse uma “besteira”, era “zoado” por um bom tempo, ou era implantada uma “greve de amizades”, deixando aquela pessoa isolada por um tempo, mas entre uma choradeira aqui e umas risadas ali, ninguém ficou traumatizado e teve problemas futuros por causa disso.

No caso de desrespeito ao professor ou violência ao colega, havia a expulsão. Os pais eram chamados e convidados a levar seu filho para outra escola. Eu presenciei como aluna apenas um fato: um colega trouxe um esqueiro e colocou fogo no cabelo da colega que sentava à frente. Rapidamente o fogo foi apagado e não houve grandes danos mas foi mais que o suficiente para no outro dia ele, chorando muito, vir despedir-se de nós para todo sempre da vida escolar.

Nunca vi os pais desrespeitaram os professores em suas resoluções por vezes bem duras, muito menos os diretores. Havia um respeito muito grande, estes eram tidos como autoridades e caso dissessem algo, eles tinham razão, os alunos não. Não vi injustiças serem praticadas mas vi muita participação dos pais, que em caso de “anotação no caderno” chamavam a atenção dos filhos para seguirem as regras.

Ninguém era aprovado automaticamente, pelo contrário, se não alcançasse a média 7,0 em todas as matérias, mesmo que faltasse somente 0,5 ponto em uma delas, repetia o ano inteiro  e não havia matéria com menor ou maior importância, todas tinham o mesmo peso. Reprovar era simplesmente o fim do mundo. Não passei na pele, mas sofri junto com colegas que ficaram “para trás”.

Hoje em dia quando vejo a violência contra colegas e professores, depredação das escolas, irresponsabilidade dos pais e dos alunos sem compromisso com o aprendizado, irresponsabilidade pública com instalações inadequadas e até vergonhosas, penso em quanto todos estão perdendo, estas pessoas e a sociedade, que não valorizam o bem principal depois da saúde: o conhecimento.

Ainda bem que há oásis por toda parte, gente comprometida, gente que gosta de ver toda gente melhor, evoluindo e gente que quer aprender, pensar melhor com a mente expandida, ser melhor.

mapa mundi

Repito em todas as conversas sobre a solução dos problemas da humanidade, especialmente do Brasil: quando tivermos um povo com educação de verdade, teremos um país melhor. Que seja a educação sensata, sem ideologias, sem condicionamentos, que não seja vazia e que desperte em cada um o amor pelo conhecimento, o respeito pelo semelhante, a criatividade para resolver problemas e dinamizar o dia a dia e sobretudo, que nos faça ver que o caminho certo é mais longo, mas é e sempre será o  melhor, o nome deste caminho é honestidade, que em mentes conscientes formam uma sociedade com igualdade e felicidade.

Feliz Dia do Estudante!

eu

Túnel do Tempo – I

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Já em várias postagens falei sobre minha tia-avó, Irmã Eva. Apresentei um pequeno histórico de sua vida e seu primeiro livro, posteriormente seu segundo livro, além de outras menções.

Desde criança sempre gostei de guardar as lembranças. Fazia pastas e antes mesmo de me formar em datilografia organizava cartas, cartões, fotos e recortes de jornais e revistas anotando alguns dados e datas e arquivando.

Um dia desses me pego folheando estas pastas antigas e encontro duas preciosidades: cartões enviados à mim e minha família por minha tia:

Foi como entrar em um Túnel do Tempo. Eu escrevia cartas e ela respondia sempre que possível. As visitas eram raras, dado seu trabalho com o cultivo de plantas medicinais e o atendimento ao grande público que lhe procurava, então estes contatos eram preciosos.

Quando criança ela me presenteava com os cartões postais que recebia e eram dezenas. Após ler cada um, fazia um pacote e enviava por algum conhecido, além de roupas e plantas que distribuía entre a família.

Nestes cartões vê-se a preocupação quando sofri um acidente e fraturei a perna direita em 1997 e quando do falecimento de minha avó materna, sua irmã, em 1998.

Impossível não se emocionar e agradecer por ser sobrinha-neta desta pessoa que plantou muitas ervas na terra e muitas boas sementes na vida das pessoas.

Em postagem anterior postei sobre o Projeto de Lei para criação do Dia da Fitoterapia, a lei entrou em vigor em 17 de julho de 2013:

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Também em 2003, um Selo Postal foi criado. Uma grande homenagem:

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Em 29 de novembro de 2004, foi inaugurado o Horto Irmã Eva Michalak, em Rodeio, SC, preservando e dando continuidade ao trabalho de toda uma vida:

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Já homenageada pelas companheiras de congregação, pelos admiradores de seu trabalho, pelo estado de Santa Catarina e aqui, humildemente, homenageada por mim na data em que se completam 105 anos de seu nascimento.

Mesmo tendo nos deixado há 10 anos, seu legado ficará para sempre!

Irmã Eva

Se você quiser usufruir um pouco desta sabedoria, o livro O Éden de Eva está disponível para baixar em formato *.pdf. Fica aqui o agradecimento à EPAGRI de Santa Catarina por disponibilizá-lo gratuitamente a todos.

Obrigada, tia!

Obs.: Tutorial para baixar o livro aqui.

MyHeritage – Conheça os Planos e Possibilidades

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Ancestralidade, o assunto que me fascina e que eu já comentei nesta postagem. Hoje trago um pouco mais sobre o MyHeritage – a plataforma para montar sua árvore genealógica.

São muitas funções disponíveis, cada qual acessível em conformidade com o plano que você deseja usufruir:

♦ O Plano Básico e Gratuito é para você, inciante, que deseja começar uma árvore com poucos dados, por exemplo: seus, dos seus irmãos, pais e avós. Minha sugestão é que crie sua conta gratuita e fique com ela por algumas semanas ou até meses para treinar o cadastramento de informações, as funções disponíveis e se você realmente quer embarcar nesta viagem. Com a conta gratuita você pode cadastrar até 250 familiares e tem acesso aos Gráficos (montagem de sua árvore para fotos que podem virar quadros de parede) e Livros (que são montados automaticamente com os dados que você cadastrar, para impressão,  encadernamento ou para guardar em *.pdf) além de outras boas funções. É claro que na grande maioria, quando você for acessar, aparecerá a telinha pedindo para você comprar outro plano mais completo.

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Já uma assinatura de Plano Premium ou Premium Plus lhe dá o direito de aumentar o armazenamento de sua árvore genealógica online e recursos especiais para alavancar a sua pesquisa de genealógica.

♦ Ao atualizar um de seus sites da família (você pode criar várias árvores diferentes) para uma Plano MyHeritage Premium você passa a ter:

* Aumento do limite da árvore de família para 2.500 indivíduos para expandir sua árvore genealógica;
* Suporte prioritário para obter respostas rápidas;
* Family Tree Builder Premium – Combinação de Smart Match, Gráficos Tudo-em-Um e Mapas Interativos;
* Recursos especiais, como a Linha do Tempo;
* Smart Matching Avançado: confirme e rejeite coincidências, contate o administrador do site, mescla automática;
* Acesso às coleções de Membros e Sites de Família de MyHeritage no SuperSearch para expandir sua pesquisa.

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♦ Com um Plano MyHeritagem Premium Plus:

* Número ilimitado de pessoas para crescer sua árvore genealógica;
* Suporte prioritário para obter respostas rápidas;
* Family Tree Builder Premium – Combinação de Smart Match, gráficos tudo-em-um e Mapas Interativos;
* Recursos especiais, como a Linha do Tempo e o Livro Cronológico;
* Smart Matching Avançado – confirme e rejeite coincidências, contate o administrador do site, combinação automática;
* Acesso às coleções MyHeritage em SuperSearch para expandir sua pesquisa;
* Acesso Ilimitado às Instant Discoveries™.

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♦ Já com uma Assinatura de Dados fica permitido acesso total ao SuperSearch e Record Matches.

SuperSearch é uma ferramenta de pesquisa do MyHeritage que permite você procurar em mais de 7 bilhões de registros ao redor do mundo. Há muito conteúdo útil no SuperSearch para explorar. Ele inclui registros exclusivos que, em muitos casos, só estão disponíveis no MyHeritage.

Nós adicionamos constantemente novos dados ao SuperSearch, mais de 2.1 bilhões de perfis, 7 bilhões de registros históricos e 85 milhões de usuários registrados. Em um dia comum, os usuários de MyHeritage adicionam 2 milhões de perfis às suas árvores genealógicas. Isso significa que, mesmo que você não encontre o que procura no SuperSearch, tem uma chance do MyHeritage encontrar em breve para você.

Record Matches automaticamente encontra correspondências entre pessoas na sua árvore genealógica e bilhões de registros no SuperSearch e notifica tais correspondências. Uma assinatura de dados lhe permite confirmar ou rejeitar Record Matches, visualizar registros e baixá-los.

E mais, com os incríveis recursos, você pode salvar registros históricos diretamente na página de perfil dos indivíduos da sua árvore genealógica e extrair informações dos registros para a árvore genealógica.

Pode parecer complicado à primeira vista, mas é super simples e principalmente: organizado. Você se familiariza com os termos rapidamente e vai redescobrindo sua história passo à passo. Com sorte, alguém com os mesmos parentescos também está montando uma árvore e as correspondências lhe ajudam a unir as informações rapidamente. Você conta com a Central de Ajuda e o Blog para esclarecer suas dúvidas e para quem optar pelos planos mais completos, as respostas chegam mais rapidamente por e-mail e telefone.

Sobre os valores, eles variam. Há várias promoções que acontecem periodicamente, descontos para quem adquirir dois planos e sites parceiros que oferecem cupons. Eu paguei pelo Plano Premium Plus e Plano de Dados os valores abaixo. A assinatura é anual:

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Além de todos estes recursos, há também o DNA Ancestral, mas este é um assunto para outra postagem. Tenho certeza que você vai se surpreender com suas descobertas e o novo mundo que passa a fazer parte de sua vida.

Acesse as categorias Árvore Genealógica e MyHeritage para mais postagens!

Chapecoense, O Time Que Conquistou O Mundo

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Não conseguia pensar, muito menos escrever. A notícia, tão chocante quanto inacreditável inebriou os sentimentos, escureceu o entendimento, silenciou o futuro. Do sonho ao pesadelo, em poucas horas; da festa ao luto; da esperança de vitória em campo à insignificância perante a tragédia.

De repente títulos, times e suas rivalidades não tinham mais nenhuma importância e de um grande elenco que voou sorrindo, volta-nos aviões oficiais trazendo os que nunca mais poderão sorrir.

O mundo todo se uniu em uma só torcida, em uma só consternação, em uma corrente humanitária que eu jamais vi no mundo do esporte.

A incredulidade deu lugar a solidariedade. Era preciso fazer algo pelos sobreviventes, pelas famílias, pelos amigos, pelo clube, pelos torcedores; era preciso pensar, agir, agilizar, confortar e por mais dolorosa que fosse a completa escuridão da morte, era preciso iluminar a vida.

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Aquele que disputaria um troféu em campo, o Atlético Nacional da Colômbia abriu mão do título que não pode mais ser disputado, nem é mais cobiçado e não tem mais o valor que tinha. Passou a ter outro sentido, passou a ser um símbolo de solidariedade, uma oportunidade de homenagear os que se foram e acalentar os que ficaram.

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Páginas inimagináveis se escrevem na história. A Chapecoense que era o Brasil na Copa Sul-Americana de Futebol, pintou de verde o mundo inteiro, silenciou torcidas, fez os campos de futebol terem a grama regada com lágrimas e nos envolveu em uma reflexão coletiva sobre a vida, sua importância e sua brevidade.

Minha bela Santa Catarina, que eu amo tanto, de onde eu nunca consegui escolher um único time para torcer e que eu jamais torci contra mesmo quando na disputa com um grande time nacional de coração, chora a perda daqueles que estavam nos enchendo de alegrias e orgulho, que mostravam a força de um povo humilde, trabalhador e que mais uma vez, tem que superar a dor e recomeçar.

Fica nossa oração pelos que se foram, pelos sobreviventes, por familiares, amigos, pela cidade de Chapecó, por todos aqueles que mostraram e mostram solidariedade, respeito e empenho para continuar a vida que segue, escrevendo seus dias.

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Breve histórico:

Associação Chapecoense de Futebol (ACF) é um clube de futebol brasileiro, sediado na cidade de Chapecó, Santa Catarina. Foi fundado em 10 de maio de 1973, com o objetivo de restaurar o futebol na cidade de Chapecó. Sua origem está ligada ao fato de que, na década de 1970, a região possuía apenas alguns times amadores, sendo inexpressiva em relação ao futebol profissional. Com o propósito de reverter esta situação, alguns desportistas da cidade, jovens apaixonados pelo esporte, decidiram se reunir para criar um time de futebol profissional para a cidade.

Às 22:15 h (hora local) de 28 de novembro de 2016 (1:15 h, do dia 29 de novembro no Brasil) uma aeronave da empresa venezuelana Lamia, com matrícula CP 2933 proveniente de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, caiu em Cerro Gordo, setenta e sete pessoas a bordo, inclusive toda a equipe do time brasileiro da Chapecoense que iria a Medellín onde disputaria uma partida contra o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana.

O time teve um voo direto a Medellín vetado pela Agência Nacional de Aviação Civil, então serviu-se da escala na Bolívia, para onde viajou em voo comercial. Deixaram de acompanhar a equipe os jogadores Neném, Demerson, Marcelo Boeck, Andrei, Hyoran, Martinuccio, Nivaldo e Rafael Lima que não seriam usados pelo técnico Caio Júnior; também não acompanhou o time o prefeito de Chapecó, que fora convidado a integrar a comitiva. Rodrigo Ernesto e Pablo Castro, que são responsáveis pela logística do clube, já estavam na Colômbia, onde aguardavam sua chegada.

Título Profissional

Vocês vão me considerar muito “antiga” depois desta, mas em 1994, aos 14 anos, eu recebia meu primeiro “Título Profissional” e já poderia trabalhar como “Datilógrafa” em qualquer empresa. Nesta época não havia nenhuma lei impedindo menores de 16 anos de trabalharem, eu comecei os cursos cedo e aos 14 anos trabalhava como balconista em uma papelaria da minha cidade.

E eu tive duas “máquinas de escrever”, uma meus pais compraram de segunda mão, quando eu tinha 11 anos (deve ser por isso que eu tenho uma letra “ilegível”). Mesmo sem saber “digitar” comecei a redigir todos os meus trabalhos escolares “à maquina” e não parei nunca mais de preferir algo mecânico (ou atualmente, informatizado) para escrever.

Então aos 13 eu comecei o curso que não era fácil não.

 Foi quase um ano datilografando folhas e folhas, aprendendo a colocar as mãos adequadamente sobre o teclado e sendo monitorada de perto pelo professor. Nada de querer adiantar os exercícios ou datilografar de qualquer jeito só para acabar rápido. Se ele nos visse “fora das regras” tínhamos que começar tudo novamente, da primeira linha da página. A prova final consistia em dizer a sequencia das “teclas” tendo um quadro de fundo com a imagem da máquina de escrever em que toda turma podia conferir nosso “desempenho”. Havia um exercício final para ser executado em x minutos, se nós conseguíssemos, além do título de Datilógrafo, no verso do Diploma ia uma anotação sobre nossa agilidade.

Formada, ganhei dos meus pais uma Máquina de Escrever Olivetti Studio 46 novinha, top de linha! Imaginem minha alegria? Pois é, tenho a máquina de escrever até hoje lá guardadinha no fundo de um armário. Para utilizá-la haviam “fitas” para ser compradas e trocadas e um corretivo em mini folhinhas, pois é claro que não havia como só clicar na “setinha” e apagar, não é?

Todos as fotos da família organizei em vários álbuns por sequência de data e datilografei abaixo de cada uma os nomes e ao que se referiam. Depois vieram as câmeras digitais e o álbum simplesmente deixou de ser atualizado. Tudo ficou arquivado no computador e me pego muitas vezes pensando no que realmente era melhor.

Quem teve uma “máquina de escrever” levante a mão! Foram bons tempos, podem acreditar.